Explicando a Constituição Septenária

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Clarice Coelho

Filha de um pai umbandista e de uma mãe kardecista, cresci entre dois universos espirituais distintos, mas igualmente sagrados. Aos cinco anos, comecei a jogar tarot de forma intuitiva; aos treze, encontrei a Wicca e me apaixonei; aos quinze, descobri a Teosofia e a Nova Acrópole, onde mergulhei de vez no estudo do oculto. Desde então, jamais abandonei meu caminho espiritual — levo-o com seriedade, disciplina e devoção.

Para mim, a existência é um retorno ao nosso ponto sagrado de origem, e é nesse propósito que devemos fixar nossos olhos. Hoje, tenho a alegria e a honra de transmitir a mensagem dos Mestres de maneira clara, acessível e didática, iluminando a senda de todos os buscadores sinceros.

Existem duas grandes chaves de visualização do homem, a trina, dos gregos soma, psique e nous e a constituição septenária, presente no hinduísmo, nos vedas, no Egito antigo e popularizada por Helena Petrovina Blavatsky, em a Doutrina Secreta. Ambas estão corretas e uma de maneira nenhuma contrapõe a outra, sendo apenas prismas e olhares diferentes sobre uma mesma questão. Mais abaixo, faremos um quadro comparativo entre ambas. Por
hora, basta-nos saber que neste livro, adotaremos como base a constituição septenária do homem, por nos permitir, dissecar de maneira mais profunda cada um dos nossos veículos.

Para progredir na senda espiritual, é preciso que o neófito adquira as virtudes necessárias do discípulo: investigação, devoção e serviço. A investigação de forma comparada das diversas correntes e escolas iniciáticas permite uma visão mais global, plural e filosófica dos ensinamentos esotéricos, aproximando o homem, cada vez mais, da visão holística de Deus. Vamos ao nosso ensinamento…

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Pela ótica da constituição septenária, o homem possui 7 corpos, sendo 4 mortais (os que encarnam e encarnam, se modificando vida após vida), 3 imortais que permanecem imutáveis a cada encarnação. Nossos corpos mortais serão simbolizados aqui pelo quadrado, símbolo da matéria e da materialização e os corpos imortais pelo triângulo, símbolo das trindades divinas em todas as civilizações. Ambos estarão ligados por uma pequena ponte, responsável não só por conectá-los, mas por transmitir os insights do nosso eu divino ao nosso eu material. Como na ilustração abaixo:

constituição septenária  corpos sutis
A constituição septenária e a constituição trina

No sistema trino, nous será equivalente a trindade imortal da constituição setenária, a psique entrará em grande correspondência com o corpo astral e mental, enquanto soma será correspondente ao corpo etérico e físico. Cada corpo dos quatro corpos imortais possui polaridades distintas nos sexos distintos (macho e fêmea) e 7 subdivisões dentro de si. A seguir, estudaremos não só sua anatomia como cada demanda, cada necessidade e peculiaridade de cada corpo. Uma vez conhecedor de si mesmo, o homem será capaz de trabalhar no seu autodesenvolvimento e na sua harmonização.


Ainda sobre a constituição trina do homem, é preciso notar que ela nos revela um ensinamento importante para o caminhante espiritual: o homem é dotado de 3 eus :

O eu que pensa (nous);
O eu que sente (psique);
O eu que executa (soma).


A dissonância entre esses três eus, leva o homem a adoecer, psíquica, física e espiritualmente. Quando o homem aprende a alinhar seu pensamento, sentimento e ação, se torna um Deus em terras mortais, uma potência infinita capaz de chegar até onde pretende. Será também a constante flutuação entre estes eus que levará o homem a gerar diversas desordens psíquicas e magnéticas, que terão profundo impacto sobre sua vida de forma geral.


Um rápido pensamento, mas de forte projeção ou um sentimento profundo e curto são capazes de tocar a teia da vida e modificá-la profundamente, gerando repercussões sobre toda a existência do indivíduo, e às vezes de quem o cerca. No que tange o campo da ação, (soma), a visualização de seus efeitos trágicos são muito mais perceptíveis. Um ato feito sem pensar, mesmo que rápido, pode ter consequências terríveis, como crime passional ou uma traição dentro de um casamento, por exemplo. Sendo assim, o neófioto precisa desenvolver disciplina e vigilância em seus pensamentos, sentimentos e ações. O simples devagar sobre certa.

As Polaridades da Constituição Septenária

Para darmos início a este ensinamento, precisaremos previamente falar sobre duas leis herméticas importantíssimas que são a base regente dos fundamentos do que falaremos a seguir. As Leis Herméticas foram trazidas do Egito, por Hermes Trimegistos, Deus Thot, entretanto sabemos a civilização Egípcia além de ter contato com a ajuda dos Senhores da Chama ( de Vênus), para sua fundação, são em verdade, um resquício remanescente da antiga e esplêndida civilização Atlante, assim sendo, podemos afirmar que elas, em verdade são um conhecimento datado dos primórdios da fundação do mundo, do universo, como o conhecemos.

Muito mais do que um conhecimento esotérico, elas são as leis que regem o funcionamento do mundo manifestado, e conhecê-las é conhecer as leis da vida. Vejamos agora, duas delas aplicadas a constituição septenária.

Lei da Polaridade

“Tudo é duplo; tudo tem polos; tudo tem o seu oposto; o igual e o desigual são a mesma
coisa; os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau; os extremos se
tocam; todas as verdades são meias-verdades; todos os paradoxos podem ser
reconciliados.” – Caibalion

Lei de Gênero

“O Gênero está em tudo; tudo tem seus princípios masculino e feminino; o Gênero se
manifesta em todos os planos.”- Caibalion

 Na constituição septenária, também encontraremos a polaridade presente e diferenciada de acordo com os gêneros humanos: macho e fêmea. A mínima despolarização desses veículos gera desequilíbrios de diversas ordens. Manter esses veículos alinhados e corretamente polarizados é fundamental tanto para o que ser humanos possa finalmente alcançar a felicidade que tanto almeja em terra, quanto para evitar problemas espirituais e desordens em sua saúde física. Vejamos a figura abaixo e a expliquemos:  

constituição septenária e polaridade
Corpos Sutis (constituição septenária) – os 7 corpos

A tríade divina na constituição septenária:

A primeira emanação de vida o (1), sua expansão, (2), e sua fusão com o número 2 para gerar um elemento neutro (3). A tríade, diferentemente do quaternário, que é mutável de encarnação em encarnação. Não importa quantas reencarnações o homem tenha, ela permanecerá a mesma, igual, inabalável, pois é a base fundamental, pedra filosofal, da existência humana. Os sabios nos informam, que ao final do manvantra, restará apenas o Átma, o grande fractal divino, mas essa é uma outra história… Entretanto, ela não foge das leis da criação que regem o universo, e por ser uma emanação do absoluto, está sujeita a elas.

Ela não terá polaridades de gênero diretamente ligadas a expressão encarnatória do ser na terra, mas terá genero como força criativa motriz, sendo: o um masculino – o deus – a centelha divina, o dois feminino – a deusa a intuição ou budhi e o filho – ou elemento neutro – a mente.

Átma será positivo, pois aqui nos referimos a primeira força fálica de emanação da vida, budhi será receptivo ou passivo, pois representa o útero gerador da vida e manas neutro, pois é a fusão dos dois. Entretanto, diferente do quaternário, que é mutável, e a tríade permanece inalterada e inabalável em sua estrutura, não tendo nenhum tipo de alteração em suas polaridades.

O quaternário na constituição septenária:

Aqui estamos nós diante de nossa roupagem nesta peça de teatro chamada vida. Todos nós viemos aqui desempenhar um papel. Para fazê-lo de maneira mais ou menos eficaz precisamos estar minimamente alinhados em nossas polaridades. Pouco importa a etapa da sua jornada, ou o grau de sabedoria ou instrução, todos podem e devem ser minimamente alinhados em seus corpos. O trabalho de alinhamento dos corpos, propicia por conseguinte o alinhamento dos chakras, causando um efeito benéfico geral no indivíduo. Fatores externos e internos, propositais ou não, arquitetados ou não, tem levado a humanidade a desalinhar-se e despolarizar-se gravemente em seus veículos físicos, gerando males e sofrimentos infindáveis.

Cabe não só ao caminhante espiritual, mas também aos profissionais de saúde, compreenderem a dinâmica e a origem desses desequilíbrios, a fim de trabalharem para uma cura real dos males de seus pacientes. No quaternário, os gêneros da nossa espécie, macho e fêmea terão polaridades diferentes para cada veículo, sendo para o homem, o físico positivo, o energético negativo, o astral positivo e o mental negativo. Na mulher, teremos a polaridade inversa: negativa no físico, positiva no energético, negativa no astral e positiva no metal. A fim de nos aprofundarmos, estudaremos separadamente veículo a veículo.

O Átma ou centelha divina, é um corpo que faz parte da nossa tríade divina, da nossa alma imortal. Ele é primordialmente a primeira emanação do absoluto, a Iluminação, a vitalidade, a consciência espiritual. Quando o Yogui, alcança o Samadhi, ele se funde com seu Deus interior e ascende ao absoluto. Ele usa o Átma ou centelha divina para isso. É o estado mais elevado de consciência plena, é o iluminado, a iluminação que o neófito tanto busca em vida, o arcano 22 do tarot, pleno, circundado do ouroboros, assistido pelos quatro elementos, aqui
simbolizados pelo anjo, a águia, o leão e o touro – ar, água, fogo e terra.


Aqui, não temos um fim, mas um novo início, pois a evolução se dá em diversas etapas e assim como o homem um dia foi pedra, vegetal e animal, um dia será um semi deus, um deus e outras coisas acima disso, cuja as quais nossa limitação mental não ousa sequer imaginar.

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Carta O Mundo – Tarot

Da mesma maneira, no budismo, o alcance ao Átma, simboliza, a tão almejadachegada ao Nirvana, a libertação final e permanente, do ciclo de renascimentos (samsara). Agora vejamos a etimologia da palavra Átma.


Ātma / Ātman vem do sânscrito. Sua raiz verbal √an (ou at), que significa “respirar”. O sufixo -man forma substantivos a partir de verbos, então ātman originalmente ficaria: “o que respira” ou “o princípio vital”. É força vital, ao sopro da vida da divindade absoluta sobre a matéria. O universo se contrai e se expande de tempos em tempos, e como vimos no prefácio, em nosso pequeno estudo sobre gênesis, o absoluto (0), fazendo um esforço
de expansão, gera sua primeira emanação de vida, essa primeira emanação de vida, ativa, positiva e de polaridade masculina, equivale na constituição setenária a Átma, e é por isso, que este veículo é nossa comunicação mais pura elevada e sagrada de união ao absoluto.

É preciso que o neófito entenda que existem 7 princípios, 7 forças, 7 torrentes energéticas que regem o mundo e o universo, assim como o regem também, compreender a natureza dessas forças, é compreender a si mesmo e a regência dos globos. Aquele que as conhece, é capaz de usá-las nas múltiplas artes da magia, assim como em seu dia a dia. Elas dançam e se equilibram pelo logos do globo. Se contrabalançam e se complementam.

Aqui temos uma característica fundamental, estamos falando de uma força masculina, ativa, primordial, pura. Ela é difícil de ser alcançada por nós, mas é possível. O homem, reproduz o rito da criação do universo durante a concepção do óvulo, doando sua força ativa (o espermatozoide), ao óvulo feminino (o receptáculo) e gerando assim uma nova vida. Aqui, é o campo das magias angelicais mais elevadas, destinadas apenas aos grandes magos, capazes de acessar essa força.

Esta força simboliza o pai nas trindades religiosas, tal como Shiva (no Hinduísmo), Osíris (no Egito antigo), o Deus pai (no cristianismo), Anu (na mitologia mesopotâmica)…

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Símbolo do Sol

Atman é simbolizado pelo círculo com um ponto no meio, seu planeta regente é o Sol, seu dia da semana é o Domingo, seu anjo guardião é Mikael, seu chácara correspondente é o coronário (topo da cabeça).

É interessante notar que Mikael, é o grande arcanjo supremo do Senhor, é ele que duela diretamente com a polaridade da materialização, aqui simbolizada por Satã:

“Se o escudo de Satã não parasse a lança de Mikael, a força do anjo se perderia no vazio
ou deveria manifestar-se por uma destruição infinita dirigida de cima para baixo. E se o pé
de Mikael não retivesse Satã na sua ascensão, Satã iria destronar Deus, ou antes perder-se
nos abismos da altura.” – Dogma Ritual e Alta Magia – Eliphas Levi

Mikael luta contra o dragão com sua lança, mas se o dragão não existisse, nós também não existiríamos. Mikael, o anjo do Sol, faz a regência da centelha divina do mundo, o dragão, é essencialmente, nossa persona, nossa personalidade, mas sem ela, o que seríamos? O mito presente em todas as civilizações do matador de dragões, encerra um mistério místico: A emanação da força primordial, aniquilando a matéria.

Essa torrente energética também representará o nosso grande pai cósmico em todas as culturas e mitologias. Como potência primordial, a primeira potência, o primeiro raio, é sim de difícil acesso e tomaremos muito mais facilmente contato com ele, através de um subcorpo do Kama Manas chamado: Kama Manas – Atma. O sétimo subcorpo do quarto corpo da constituição setenária nos dá o vislumbre desse corpo sutil e nos inicia nas nossas primeiras experiências para com ele. Será através dele que iniciaremos os nossos primeiros exercícios para entrar em contato com esse torrencial energético.

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Subcorpos da Constituição septenária

Como potência primordial, a primeira potência, o primeiro raio, é sim de difícil acesso e tomaremos muito mais facilmente contato com ele, através de um subcorpo do Kama Manas chamado: Kama Manas – Atma. O sétimo subcorpo do quarto corpo da constituição setenária nos dá o vislumbre desse corpo sutil e nos inicia nas nossas primeiras experiências para com ele. Será através dele que iniciaremos os nossos primeiros exercícios para entrar em contato com esse torrencial energético.

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